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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

FELIZ ANIVERSÁRIO KING - UMA CURIOSIDADE PARA CADA ANO DE VIDA DO MESTRE!



Hoje, como vocês bem sabem, é aniversário do nosso querido Steve. 73 anos fazendo a gente dormir com a luz acessa. Por isso o Ótimo Site StephenKingBR separou 73 curiosidades sobre a vida e obra de nosso autor querido! Entre elas estão fatos de sua vida pessoal, profissional, curiosidades sobre seus passatempos.


1: Nasceu em Portland, Maine, no dia 21 de Setembro de 1947.


2: Seu nascimento foi inesperado, já que sua mãe, Ruth, tinha sido diagnosticada como infértil.


3: Em 1949, Donald, o patriarca da família, saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou.


4: Ruth, a mãe de King, passou então a cuidar sozinha dele e de seu irmão David.


5: Steve presenciou, quando criança, um atropelamento de um amigo, que o inspirou a escrever o conto “o corpo”.


6: Uma de suas primeiras histórias foi escrita quando ele era criança e era plágio de uma H.Q.


7: Seu primeiro salário foi recebido de sua mãe, que pagou 25 centavos por suas histórias.


8: Na década de 50 King adorava as hqs da E.C Comics, quadrinhos de terror da época.


9: Quando questionado porque gostava daquele “lixo” por parte de sua mãe, ele respondeu: “um dia vou escrever esse lixo!”


10: King sempre foi aficionado por filmes de terror e de ficção científica.


11: King já teve muitos problemas com drogas e mal se lembra de ter escrito “Cujo”


12: Ele não gostou da adaptação de “O Iluminado” de Stanley Kubrick.


13: Em 2009 realizou um desejo expressado no livro “Salem”: ser entrevistado pela playboy.


14: Tem um salário anual estimado em 40 milhões de dólares.


15: É um grande fã de LOST.


16: Vendeu os direitos de “Rose Madder” para a HBO por 1,5 milhões de dólares.


17: Nunca censurou seu próprio trabalho, com exceção de “Rage”, seu conto proibido.


18: Publicou 7 livros sob o pseudônimo Richard Bachman.


19: Nunca endossou um fã clube oficial porque odeia a idolatria a celebridades. Por isso ele dá autógrafos apenas em eventos específicos.


20: Conheceu Tabitha King enquanto os dois trabalhavam na Biblioteca Fogler como estudantes na Universidade do Maine em Orono.


21: Trabalhou em uma lavanderia antes de publicar seu primeiro livro.


22: Escreveu “The Running Man”, um romance de 304 páginas, em apenas dez dias.


23: Segundo o Guinness, é o autor vivo com mais adaptações para o cinema.


24: Seu conto “O Homem de Terno Preto” ganhou o prêmio O. Henry de Melhor Conto em 1996.


25: King ouve rock para se inspirar enquanto escreve.


26: Fã da série Harry Potter, ele já escreveu resenhas dos livros para a Entertainment Weekly.


27: É membro de uma banda de rock chamada “The Rock Bottom Remainders”


28: Segundo o próprio King, a adaptação mais fiel de seus livros é “Conta Comigo”.


29: Em 1999 foi atropelado enquanto fazia sua caminhada matinal e teve uma perna quebrada, um pulmão machucado e uma laceração na cabeça.


30: Diz a lenda que King comprou a van que o atropelou e destruiu ela a marretadas, para evitar que se transformasse em uma atração turística. Na verdade, foi quase isso que aconteceu. Os advogados dele compraram a van e destruíram em um ferro velho para que ela não fosse vendida no Ebay.


31: Antigamente escrevia de 3 a 4 horas por dia e no mínimo 2 mil palavras. Agora escreve em torno de mil.


32: Escreveu um musical chamado “The Ghost Brothers of Darkland County”


33: King e sua esposa, Tabitha, são donos da “The Zone Corporation”, uma empresa que dirige suas três estações de rádio no Maine.


34: Seu nome do meio é Edwin e ele tem três filhos: Naomi, Joseph e Owen King.


35: Também já escreveu sob o pseudônimo John Swithen.


36: Antes de ser um escritor de sucesso ele vendia suas histórias para revistas masculinas.


37: Sua primeira aparição em um filme foi no longa “Knightriders” de seu amigo George Romero.


38: Possui um patrimônio liquido estimado em 400 milhões de dólares.


39: Foi forçado a repetir a primeira série por causa de suas ausências frequentes.


40: Carrie foi seu primeiro livro publicado, graças aos esforços de sua esposa, Tabitha, que resgatou o manuscrito do lixo.


41: Quando criança, descobriu uma caixa com pertences de seu pai e entre eles estava o livro The Thing from the Tomb de HP Lovecraft, que despertou seu interesse por ser escritor de terror.


42: Começou a enviar seus contos quando tinha 16 anos e sempre que recebia uma carta de rejeição pregava na parede. Recebeu tantas que os pregos chegaram a cair da parede.


43: Teve seu primeiro conto publicado, “The Glass Floor”, quando tinha 19 anos e recebeu 35 dólares por ele na época.


44: King trabalhou como professor de inglês desde 1971. Ele ganhou $ 6.400 por ano, cerca de $ 40.000 em 2017.


45: É fã de baseball e torce pelo time Boston Red Sox.


46: Doou dinheiro para construir o estádio de Baseball Mansfield, que hoje é carinhosamente conhecido como “Campo dos Gritos de Stephen King”.


47: A esposa de Stephen, Tabitha, escreveu vários romances próprios também, incluindo os títulos “Candles Burning” e “Survivor”.


48: Stephen King e o autor de Game of Thrones, George RR Martin, jogaram pôquer juntos durante as convenções de ficção científica na década de 1980.


49: Em 1995 ele teve 4 livros na lista do The New York Times de uma vez: A Maldição, O Talismã, Tripulação de Esqueletos e Os Livros de Bachman.


50: King tem medo de voar. Quando era mais jovem, ele costumava dirigir sua motocicleta de um estado para outro durante suas turnês de livros. Ele inclusive adaptou isso no livro “Desespero”.


51: Um dos programas de TV favoritos de King é Breaking Bad. Ele também gosta de The Walking Dead, Sons of Anarchy e The Americans.


52: King tem mais de 17.000 livros em sua biblioteca pessoal. Ele leu todos eles, exceto um punhado dos mais novos.


53: King incentiva a produção de cinema através de um projeto chamado “Dollar Babies”, onde ele “empresta” os direitos de algumas de suas histórias, pelo valor simbólico de um dólar, para estudantes de cinema produzirem suas adaptações.


54: Enquanto estudava na Universidade do Maine, King escreveu para o jornal estudantil The Maine Campus. Na verdade, ele tinha sua própria coluna, chamada “Caminhão de Lixo de Steve King”.


55: Quando recebeu o cheque pela venda de sua história “The Float” (agora conhecido como “The Raft”) ele gastou a quantia inteira para pagar uma multa de trânsito.


56: Já colaborou com Michael Jackson para criar o roteiro do vídeo clipe “Ghosts”.


57: O processador de texto preferido dele é a caneta-tinteiro Waterman.


58: Em 1982 publicou “Quatro Estações”, o primeiro livro de King que não trata necessariamente do terror, apesar de possuir alguns elementos que lembram bastante o gênero.


59: Dedicou uma das histórias de “Quatro Estações” a Peter Straub, com quem King futuramente faria uma parceria que resultaria em dois livros.


60: Em 1985 um persistente balconista de livraria de Washington DC, Steve Brown, localiza registros da Biblioteca do Congresso e descobre um documento nomeando King como o autor de um dos romances de Bachman. Após entrar em contato com os editores de King, citando o fato, Brown recebe um telefonema do próprio King admitindo que ele era realmente Bachman e sugerindo que Brown escrevesse um artigo sobre como ele descobriu a verdade e se dispondo a conceder uma entrevista para ele.


61: 1986 seria um ano histórico para os fãs de Stephen King. Precisamente no dia 15 de Setembro daquele ano, King lançaria aquele que até hoje é considerado como um dos seus maiores (tanto no sentido físico quanto no sentido literário, já que o livro tem mais de mil páginas) livros, “IT” (A Coisa).


62: Em 1987 King bateria seu record de publicações, lançando 4 livros: “The Eyes of the Dragon” (Os Olhos de Dragão) em Fevereiro, “The Dark Tower II – The Drawing of the Three” (A Torre Negra II – A Escolha dos Três) em Maio, “Misery” (Angústia) em Junho e “The Tommyknockers” (Os Estranhos) em Novembro.


63: No dia 10 de Outubro de 2015 Steve foi um dos agraciados com a National Medal of Arts (Medalha Nacional de Artes), recebendo a premiação das nãos do presidente Barack Obama em uma cerimônia que ocorreu na casa branca.


64: King sofre de triscaidecafobia, o medo irracional do número 13. Ele nunca para de escrever se a soma das páginas for 13.


65: Quando teve sua primeira máquina de escrever, ele escreveu tanto que chegou a quebrar a letra “M” do teclado, tendo que completar os espaços em branco à caneta. A lembrança foi adaptada no livro “Misery: Louca Obsessão”.


66: King já trabalhou como coveiro, quando o pai de um de seus amigos, que cuidava de um cemitério, convidou ele e seus amigos para fazerem alguns trabalhos para ele, pagando cerca de 25 centavos de dólar.


67: Quando publicou sua primeira história, ele não foi pago em espécie, mas com vários exemplares da revista que publicou sua história.


68: Já publicou um panfleto em sua escola chamado “The Village Vomit”, onde escrevia histórias mal disfarçadas sobre seus colegas e desavenças na escola. Em nenhum momento ele se identificou, mas não demorou para que a diretora descobrisse que ele era o responsável. Ele foi suspenso por 3 dias e teve que pedir desculpas aos professores e colegas de classe. Quando voltou da suspensão foi contratado pela diretora como cronista de jogos esportivos para o jornal da escola.


69: Recebeu, como adiantamento de seu primeiro livro, 400 mil dólares. Isso permitiu que largasse de vez sua carreira como professor e se dedicasse integralmente à escrita.


70: Em uma de suas férias ele se instalou com sua esposa, Tabitha, em um hotel chamado “Stanley Hotel” em Bolder, Colorado. O hotel o inspirou a criar o livro “O Iluminado”, além de sua experiência com os conflitos inerentes à paternidade.


71: king salvou uma seção de resenhas de um jornal local do Maine, que estava prestes a ser cancelada. Quando soube que o jornal estava pensando em acabar com a seção que indica autores locais, ele twittou sobre isso, em Janeiro de 2019. O jornal disse que se eles conseguissem pelo menos 100 assinaturas eles manteriam a seção e no final das contas eles acabaram conseguindo dobrar o objetivo.

72: King lê uma média de 80 livros por ano e indica muitos deles para seus Leitores Fiéis. Algumas de suas dicas incluem: The Chalk Man, de C.J, Tudor, Maggie Murders, de Anthony Horowitz, e Widows Point, de Richard e Billy Chizmar.


73: Em 2021 King está completando 73 anos, com a quase totalidade deles dedicados à literatura. São mais de 350 milhões de livros vendidos, entre romances, coletâneas e novelas e o autor continua ativo. Seu mais recente livro é a coletânea “Com Sangue”, que reúne quatro novelas e o próximo livro a ser publicado será “Later”, em 2021, pelo selo Hard Case Crime.


Que nosso querido autor possa continuar por muitos anos fazendo a nossa alegria de Leitores Fiéis. Feliz Aniversário, Sr. King!



Fonte: Stephen King BR

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

“The Glass Floor”, a primeira publicação profissional de Stephen King


The Glass Floor apareceu pela primeira vez na revista Startling Mystery Stories em 1967. Foi a primeira publicação profissional de King, pela qual ele recebeu um pagamento de $35 dólares. Ele tinha vinte anos quando recebeu o seu primeiro pagamento por uma história, depois de cinco anos acumulando rejeições. Depois de 20 anos, Stephen King permitiu a republicação deste conto na edição de 1990 da revista Weird Tales… Nesta edição, ele escreveu uma introdução como apresentação para esse conto. Conseguir uma cópia da primeira publicação não é tão difícil, custando atualmente em torno dos quatro dígitos. A segunda republicação sai por apenas algumas centenas de dólares.

Nesta história, Charles Wharton visita a casa de seu genro, Anthony Reynard, esperando descobrir mais sobre as circunstâncias da morte de sua irmã. Inicialmente, Reynard se recusa a oferecer detalhes sobre o acidente que causa a morte prematura de sua esposa, porém com a insistência de Wharton, ele relata sobre os fatos estranhos que circundam a morte de Janine.

Uma grande parte dos pesquisadores da obra de Stephen King classificam esse conto como uma inspiração nas obras de Poe. Na verdade, um dos contos de Poe é relembrado pela personagem Wharton em um certo momento da narrativa.

A versão utilizada para a tradução foi a de 1967. As revisões feitas por King para a republicação são minímas, corrigindo erros de ortografia e de parágrafo. Também traduzi a introdução feita por King para a republicação. Para lerem a introdução e o conto, cliquem aqui.

E como curiosidade, na contracapa da edição americana do livro Os Justiceiros, foi publicada uma foto tirada no dia em que o King recebeu a revista com sua primeira publicação. Também é possível ver na foto o cheque com o pagamento pelo conto.


Fonte: Stephen King

Os trabalhos perdidos de Stephen King


King já teve diversos trabalhos que nunca foram publicados, seja por não atenderem às necessidades do mercado editorial da época, ou mesmo porque o próprio King optou por mantê-las no anonimato, ou por tê-los perdido ou por não considerá-los bons o suficiente (King sempre foi muito autocrítico com seu trabalho). 

 Algumas destas novelas e contos tornaram-se itens raros do acervo da Universidade do Maine, onde as únicas pessoas que podem ter acesso a esse material precisam da autorização do próprio King. Segue abaixo a lista com algumas dessas histórias.


Título Original: Aftermath, The

Possível Título em Português: O Resultado

Características: King começou a escrever o romance com apenas dezesseis anos, no ano de 1963. O manuscrito original tem 76 páginas e cerca de 50 mil palavras e conta como é a vida depois de uma guerra nuclear que dizimou boa parte da população mundial. Nesse mundo, uma organização paramilitar conhecid como “Sun Corps” detêm todo o poder bélico. Larry Talman, um dos sobreviventes da guerra, tenta entrar na organização e destruir o DRAC (Digital Relay Analogue Computer). Para que isso aconteça ele precisa sacrificar a vide sua própria filha. Talman acaba descobrindo que os poderosos da Sun Corps são extraterrestres do planeta Deneb IV que estavam tentando destruir a terra. A Novela encontra-se no arquivo de Coleções especiais de Raymond Floger, na Universidade do Maine em Orono e só as únicas pessoas que podem ter acesso ao material precisam ter a permissão do próprio King, em pessoa.

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Título Original: Babylon Here

Possível Título em Português: Babilônia Aqui

Características: Novela nunca publicada. Para mais informação, veja Sword In The Darkness mais abaixo, o mais provável título para a novela

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Título Original: Blaze

Possível Título em Português: Blaze

Características: Escrita ao mesmo tempo em que A Hora do Vampiro, esta novela foi terminada em 15 de fevereiro de 1973. Nas 173 páginas desta novela, algo em torno de 50.000 palavras, (foi parcialmente reescrita, formando 106 páginas), ficamos conhecendo o melodrama de um criminoso com problemas mentais que seqüestra uma criança e planeja pedir o resgate aos pais ricos, mas acaba se apaixonando pela criança quase que instantaneamente. Esta novela foi dedicada a mãe de King que morreu de câncer em 1973. Este manuscrito foi “achado” por King e lançado em 12 de Junho de 2007, sob o pseudônimo de Richard Bachman.

Atualizado: Blaze foi finalmente publicado, sob o pseudônimo de Richard Bachman, em Junho de 2007.

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Título Original: Sword In The Darkness

Possível Título em Português: Espada nas Trevas

Características: Essa história foi escrita em 1970 e tem cerca de 485 páginas (150 mil palavras, sendo esta a maior novela e King ainda não publicada). King terminou a história em 30 de abril de 1970 e quando tentou publicá-la foi rejeitado por nada mais, nada menos, do que 12 editoras. O romance trata de revoltas que acontecem em uma grande cidade americana (boa parte da história fala de acontecimentos paralelos, já que a revolta, em si, aparece apenas nas 80 últimas páginas). No livro conhecemos a drástica vida de Arnie. Sua irmã grávida comete suicídio e sua mãe morre, motivada por um tumor cerebral. Quando Marcus Slade, um proeminente advogado, chega na cidade, a revolta explode e a cidade vira um inferno. Atualmente a novela encontra-se no Arquivo De Coleções Especiais De Raymond Floger, na universidade do Maine em Orono. Somente se pode ter acesso a ela caso seja permitido pelo próprio King.

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Título Original: House On Value Street, The

Possível Título em Português: A Casa na Rua Value

Características: Começou a ser escrita em 1974. A novela trata do sequestro de Patty Hearst. King parou de escrever porque ela não estava indo a lugar nenhum. Mais tarde ela se transformou no embrião que deu origem à Dança da Morte.

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Título Original: Corner, The

Possível Título em Português: O Canto

Características: Possivelmente iniciada em 1976. Pouco se sabe sobre ela, somente que foi abortada porque não satisfez King.

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Título Original: Winsey

Possível Título em Português: Winsey

Características: Com 16 páginas, é o início de uma novela que King começou em 1977, que deveria se chamar “Lord Peter Winsey”. A personagem desta estória é o detetive das novelas de Dorothy Sayers e foi uma idéia de seu então diretor Bill Thompson (o que comprou Carrie). O motivo de King por ter parado de escrever esta estória é desconhecido, mas parece que por causa de ter escrito um conto de detetives, perdeu o interesse por Winsey.

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Título Original: Leprechaun, The

Possível Título em Português: O Leprechaun

Características: Começada em 1983. King resolveu escreve-la para o filho, fazendo uma nova novela. Escreveu mais de 30 páginas num notebook e depois passou as à mão, mas acabou perdendo o material numa viagem em sua Harley de Boston a Bangor. Outros dizem que ele perdeu o notebook com as páginas do livro no mar, perto da costa de New Hampshire. A única coisa que existe hoje são as primeiras cinco páginas do livro.

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Título Original: Steel Machine

Possível Título em Português: Máquina de Ferro

Características: Novela conhecida dos leitores de A Metade Negra, onde Thad é forçado a escreve-la por George Stark. King originalmente queria publicá-la sob o pseudônimo de Bachman, mais tarde ele disse: “Se eu quiser fazer isso, publicaria Steel Machine como Richard Bachman, não como George Stark. Porque George Stark não existe e Bachman sim.” Parte da novela aparece no livro a Metade Negra.

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Título Original: Pretender, The

Possível Título em Português: O Impostor

Características: King começou a escreve-la em 1996 e diz ainda estar trabalhando nela.

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Título Original: My Pretty Pony

Possível Título em Português: Meu Cavalinho Bonito

Características: Novela abortada. King escreveu seis capítulos antes de desistir da história. No final ele acabou usando o primeiro capítulo para fazer um conto de mesmo nome.

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Título Original: Doors, The

Possível Título em Português: As Portas

Características: Nada se sabe sobre esta novela, somente que nunca foi terminada.

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Título Original: Weeds ou Will Be Necesary Stop The Weeds

Possível Título em Português: Ervas Daninhas ou Será Necessário Parar as Ervas Daninhas.

Características: Novela abortada com cerca de 20.000 palavras, parte dela foi publicado como o conto “The Weeds”.

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Título Original: Milkman

Possível Título em Português: Leiteiro

Características: Uma novela não-publicada de onde King tirou dois contos: Entregas Matinas (Leiteiro n.1) e O Carrão: Uma História de Lavanderia (Leiteiro n.2), ambas publicadas em Tripulação de Esqueletos.

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Título Original: George D. X. McArdle

Possível Título em Português: George D. X. McArdle

Características: Nunca publicada, o manuscrito completo encontra-se na biblioteca da universidade de Orono no Maine.

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Título Original: On The Island

Possível Título em Português: Na Ilha

Características: Livro terminado que King escreveu em meados dos anos 80. Aqui está o que King falou sobre o livro: “É sobre pessoas ricas que falam com crianças de rua para irem a uma ilha onde são caçadas, com paintballs. E eles chegam lá e encontram essas pessoas que estão atirando para viver, e na minha estória há um ou três que fogem e temem que essas pessoas voltem.”

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Título Original: Second Coming

Possível Título em Português: Segunda Vinda

Características: Novela nunca publicada que depois se tornou A Hora do Vampiro.

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Título Original: Getting On

Possível Título em Português: Entrando Nessa

Características: Primeira versão da novela “Fúria”, lançada sob o pseudônimo de Richard Bachman.

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Título Original: Keyholes

Possível Título em Português: Fechaduras

Características: Este conto inacabado é bastante desconhecido, não se sabe quando foi iniciado, mas parece ser em meados de 1980. O texto de uma página e meia fala sobre um trabalhador de uma construção chamada Michael Briggs que vai ver um psiquiatra para falar de seu filho, a falta de como ele disse “ser católico para buscar um sacerdote…”. Era para ser uma estória com exorcismo.

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Título Original: Título Desconhecido

Possível Título em Português: Título Desconhecido

Características: King não lembra o título mas reconhece que seu primeiro conto era este. O escreveu em 1854 e trata de um dinossauro que ataca uma cidade e o protagonista descobre que ele é alérgico a couro, assim um bando de garotos o atacam com todo o tipo de coisas feitas de couro até o dinossauro desaparecer.

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Título Original: Mr. Rabbit Trick

Possível Título em Português: Sr. Rabbit Trick

Características: Quando tinha sete anos, King escreveu para sua mãe uma estória baseada em um coelho que conduzia um carro velho, e junto de seus amigos ajudavam as crianças. Sua mãe gostou tanto da estória que pediu para ele escrever mais. Acabou escrevendo outras quatro estórias com Rabbit Trick e sua mãe o pagava por cada uma.

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Título Original: Land Of 100.000 Years Ago

Possível Título em Português: Terra de 100.000 Anos Atrás

Características: Conto totalmente desconhecido. Fala sobre de 21 prisioneiros que estão em uma ilha deserta. Escrita em 1959. Stephen King editou a estória e vendeu na escola.

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Título Original: Charlie

Possível Título em Português: Charlie

Características: Conto de seis páginas, escrito em 1959, enviado a diversas revistas e rejeitado sempre. Encontra-se na biblioteca Raymond Floger, do Maine.

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Título Original: Happy Stamps

Possível Título em Português: Selos Felizes

Características: História de um falsificador de bilhetes que passa a falsificar selos para obter a vantagens que sua mãe quer. King enviou-o a Alfred Hitchcok’s Mystery Magazine, mas foi rejeitado.

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Título Original: Dimension Warp, The

Possível Título em Português: Urdidura de Dimensão

Características: Era para ser publicado em People, Places and Things de 1960, um livro escrito junto a um amigo, mas foi perdida.

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Título Original: I’m Falling

Possível Título em Português: Estou Caindo

Características: Era para ser publicado em People, Places and Things de 1960, um livro escrito junto a um amigo, mas foi perdida.

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Título Original: Pitt And Pendulum, The

Possível Título em Português: A Cova e o Pêndulo

Características: História de oito páginas baseada em um filme de mesmo nome (seu primeiro e único plágio, imagino). Segundo King, não existem cópias. Vendeu dezenas na escola por 25 cents, mas foi proibido de continuar a venda por ser uma literatura escandalosa.

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Título Original: Invasion Of The Star Creatures, The ou Star Invaders, The

Possível Título em Português: Invasão De Criaturas do Espaço ou Invasores Espaciais

Características: Estória de 17 páginas que King escreveu aos 17 anos e publico no mesmo ano. O problema desta publicação é que foi única, somente um exemplar feito e quem o tem é King.

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Título Original: Last of Here, The

Possível Título em Português: O Último Daqui

Características: Conto nunca terminado. Também chamado de “Time In A Glass That Ran.”

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Título Original: Your Kind of Place

Possível Título em Português: Seu Tipo de Lugar

Características: Nunca terminado.

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Título Original: Ideal, Genuine Man, The

Possível Título em Português: O Ideal, Homem Genuíno

Características: Composição de mesmo título do livro de Don Robertson.

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Título Original: I Hate Mondays

Possível Título em Português: Eu Odeio Segundas-feiras

Características: Neste conto de seis páginas escrito por King e seu filho, Owen é um personagem.

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Título Original: Shepherd And His Flock, The

Possível Título em Português: O Pastor e seu Rebanho

Características: Não-publicada e ainda desconhecida, acham que foi escrita entre os anos de 1996 e 2000.

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Título Original: Spear, The

Possível Título em Português: A Lança

Características: Nunca foi publicado e King acabou perdendo a história.

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Título Original: Gluch

Possível Título em Português: Gluch

Características: Conto nunca terminado, provavelmente escrito no início dos anos 90.

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Título Original: History Lesson

Possível Título em Português: Lição de História

Características: Conto nunca publicado, se encontra na biblioteca de Orono no Maine.

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Título Original: Loon Call

Possível Título em Português: Ligação Estranha

Características: Conto nunca publicado, se encontra na biblioteca de Orono no Maine.

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Título Original: Mobius

Possível Título em Português: Móvius

Características: Conto nunca publicado, se encontra na biblioteca de Orono no Maine.

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Título Original: But Only Darkness Loves Me

Possível Título em Português: Mas Só as Trevas Me Amam

Características: Conto nunca publicado, se encontra na biblioteca de Orono no Maine. King o escreveu junto com o filho.

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Título Original: After the Play

Possível Título em Português: Depois do Jogo

Características: Conto perdido por King.



Outros

Título Original: Acident

Possível Título em Português: Acidente

Características: Uma peça teatral nunca publicada.

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Título Original: Imaginary Places

Possível Título em Português: Lugares Imaginados

Características: Poema nunca publicado.

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Artigo escrito por Morakes.

Fonte: Stephen King

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Conto: “Uma Morte” - Stephen King

adeath

Publicado recentemente no newyorker.com, “A Death” (“Uma Morte”, em tradução livre) conta a história de Jim Trusdale, um homem condenado à forca por um crime que o Xerife Barclay não tem certeza se ele realmente cometeu. 

Pouco antes de publicar o conto, Stephen King concedeu uma breve entrevista à Cressida Leyshon, do New Yorker (confira o link original aqui), onde ele falou um pouco mais sobre a história. Atualizei o post com a tradução da entrevista, que segue abaixo (atenção: contém spoilers. Recomendo a leitura após o conto).


Entrevista:

Sua história da edição desta semana, “Uma Morte”, é sobre o assassinato de uma garotinha e do homem suspeito de matá-la. A história começa com a prisão de Jim Trusdale. Você sabia desde o início de qual crime ele seria acusado?

Eu sabia que ele seria acusado pelo assassinato de uma garotinha após ter roubado seu dólar de aniversário, mas era tudo o que eu sabia.

A história se passa nos Vales Negros da Dakota, pouco antes do território ser integrado aos Estados Unidos, em 1889. Porque você quis situar a história neste lugar e neste tempo?

Eu quis situar a história em um lugar onde a justiça fosse brutal e rápida. Dessa forma, a história tem uma dívida com o grande romance de Velho Oeste de Walter Van Tilburg, “The Ox-Bow incident” (o livro deu origem ao filme que recebeu o título de “Consciências Mortas”, no Brasil – N.T)

A história gira em torno da questão da culpa. Trusdale proclama repetidamente sua inocência. A maioria dos cidadãos da cidade acreditam que ele é culpado, só o Xerife acredita que um  homem  inocente pode estar caminhando de encontro à sua morte. Você tinha alguma ideia clara sobre a inocência ou culpa dele quando começou a história?

Eu estava mais interessado na progressão do Xerife de uma pressuposta culpa até uma relutante crença na inocência de Trusdale. Se Jim Trusdale realmente matou Rebecca Cline era algo menos interessante para mim do que a mudança de concepção de Barclay.

A forca é armada para Trusdale antes que o veredito fosse dado. Como escritor, como é despachar um homem para sua morte? Você não quer sempre deixar um personagem escapar de sua sentença de morte?”

Ver alguém ser enforcado, mesmo alguém fictício, nunca é agradável. Mas, só porque eu tinha que viver com Trusdale por um curto período de tempo, foi mais fácil vê-lo ser executado do que ver John Coffey ir para a cadeira elétrica em “À espera de um milagre”. Isso foi em parte porque eu sabia que Coffey era inocente, e por outro lado porque eu vivi com Coffey pelos dezesseis durante os quais eu escrevi o livro. Ele se tornou um amigo. Jim Trusdale era um mero conhecido.

“Uma morte” aparecerá nessa temporada em uma nova coletânea de suas histórias, “O bazar de pesadelos” (“The Bazaar of Bad Dreams” no original). No verão, você estará publicará “Finders Keepers” (“Achado não é roubado”, em tradução livre), o segundo romance de uma trilogia que se iniciou com “Mr. Mercedes”. Você disse que “Mr. Mercedes” começou com uma ideia para um conto. Como, ao longo do processo da escrita, você sabe que a história pode superar seus limites? E quando o inverso acontece?


Eu tive muitos contos que cresceram até se transformarem em romances, mas eu nunca tive um romance que se transformou em um conto, ou em uma novela. Às vezes, a história na qual estou trabalhando começa a desabrochar – é o único jeito que eu consigo descrever. O grande romancista de ficção cientifica Alfred Bester tinha um ditado: “O Livro é o chefe.” É a verdade de toda ficção, eu acho. Há um processo agindo em seu subconsciente ou alguma outra coisa parecida – uma musa ditando, se você preferir assim – e é melhor deixar que a força imaginativa faça seu trabalho. Uma história como “Uma Morte” é um prazer para mim, porque ela tem um tipo de compreensão doce e não forçada.

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Conto Integral:

Uma Morte - Stephen King

Tradução e revisão: Edilton Nunes


Jim Trusdale tinha uma cabana no lado oeste do rancho de plantio do seu pai, e lá era onde ele estava quando o Xerife Barclay e meia dúzia dos deputados empossados encontraram ele, sentado em uma cadeira ao lado do fogão frio, vestindo um casaco imundo e lendo uma publicação antiga do “Black Hills Pioneer” sob a luz de uma lanterna. Olhava para ele displicentemente.

Xerife Barclay parou na porta da frente, quase a preenchendo. Ele estava segurando sua própria lanterna. “Venha cá fora, Jim, e faça isso com as mãos para o alto. Eu ainda não saquei minha pistola e não quero fazê-lo.”

Trusdale saiu. Ele ainda tinha o jornal em uma de suas mãos erguidas. Ele parou lá olhando para o Xerife com seus insípidos olhos cinza. O xerife olhou para trás. O mesmo aconteceu com os outros, quatro no estabulo e dois no banco de uma carroça velha com “Funerária Hines” pintado no lado com letras amarelo-desbotadas.

“Eu notei que você não perguntou por que estamos aqui,” disse o Xerife Barclay.
“Por que você está aqui, Xerife?”
“Onde está o seu chapéu, Jim?”

Trusdale levou a mão que não estava segurando o jornal até a cabeça, como que para sentir seu chapéu, que tinha o marrom das planícies, e não estava lá.

“Em seu lugar, não é?” o Xerife perguntou. Uma brisa gelada subiu, soprando os cascos dos cavalos e transpassando a grama em uma onda que corria para o sul.
“Não,” Trusdale disse. “Eu não acredito nisso.”
“Onde então?”
“Eu talvez o tenha perdido”
“Você precisa subir na parte de trás da carroça,” disse o Xerife.
“Eu não quero montar em nenhuma carroça de funeral,” Trusdale disse. “Isso é má sorte.”
“Você está com azar de qualquer jeito,” um dos homens disse. “Você está pintado com ele. Entre!”

Trusdale foi para trás da carroça e subiu. A brisa passou de novo, forte, e ele levantou a gola de seu casaco.

Os dois homens que estavam sentados na carroça desceram e pararam um em cada lado dele. Um sacou sua arma; o outro não. Trusdale conhecia seus rostos, mas não seus nomes. Eles eram homens da cidade. O xerife e os outros quatro entraram em sua cabana. Um deles era Hines, o coveiro. Eles ficaram lá por um tempo. Eles abriram o fogão e cavaram através das cinzas. Por fim, eles saíram.

“Sem chapéu”, disse o Xerife Barclay.” E nós gostaríamos de tê-lo visto. É um maldito chapéu grande. Nada a dizer sobre isso?”
“É péssimo ter perdido ele. Meu pai deu ele para mim quando ele ainda estava em sua cabeça.”
“Onde está ele, então?”
“Eu já disse, eu devo tê-lo perdido. Ou deve ter sido roubado. Isso pode ter acontecido também. Digo, eu já estava quase indo para a cama.”
“Não se importe em ir para a cama. Você estava na cidade esta tarde, não estava?”
“Claro que estava,” um dos homens disse, montando de novo. “Eu mesmo o vi. Usava aquele chapéu, também.”
“Calado, Dave,” disse o Xerife Barclay. “Você esteve na cidade, Jim?”
“Sim senhor, eu estive,” disse Trusdale.
“No Chuck-Sortudo? ”
“Sim senhor, eu estive. Eu andei daqui, tomei dois drinques, e então voltei para casa. Eu acho que foi no Chuck-Sortudo que perdi meu chapéu.”
“Essa é a sua história?”
Trusdale olhou para o céu de novembro acima. “É a única história que eu tenho”.
“Olhe para mim, filho.”
Trusdale olhou para ele.
“Essa é a sua história?”
“Eu disse, a única que eu tenho,” Trusdale respondeu, olhando para ele.

O Xerife Barclay suspirou. “Tá certo, vamos para a cidade.”
“Por quê?”
“Por que você está preso.”
“Ele não tem um cérebro nessa porra de cabeça”, um dos homens comentou. “Faz o pai parecer esperto.”

Eles foram para a cidade. Ficava há 6 quilômetros e meio. Trusdale foi na traseira do vagão mortuário, tremendo contra o frio. Sem se virar, o homem que segurava as rédeas disse, “Você queria estuprá-la, tanto quanto roubar o dólar dela, não é?”
“Eu não sei sobre o que você está falando,” Trusdale disse.

O resto da viagem continuou em silêncio, exceto pelo barulho do vento. Na cidade, as pessoas faziam fila na rua. No início elas estavam quietas. Então uma mulher velha em um xale marrom correu atrás do cortejo fúnebre, em uma espécie de mancado desajeitado e cuspiu em Trusdale. Ela errou, mas recebeu um respingo de aplausos.

Na prisão, o Xerife Barclay ajudou Trusdale a descer do vagão. O vento estava revigorante, e cheirava à neve. Erva Daninha crescia pela rua principal, em direção à torre de água da cidade, onde ela se empilhava, chacoalhando sobre a cerca de madeira.

“Enforquem aquele assassino de bebês,” um homem gritou, e alguém jogou uma pedra. Ela passou por sobre a cabeça de Trusdale e foi parar na laje do muro logo atrás.

O Xerife Barclay virou-se e levantou sua lanterna, inspecionando a multidão que estava reunida em frente ao mercado. “Não façam isso,” disse ele. “Sem atitudes tolas.”

O Xerife levou Trusdale pelo seu escritório, segurando ele pelo braço direito e entrou na cadeia. Lá havia duas celas. Barclay levou Trusdale até uma no final, à esquerda. Lá havia uma beliche, um banquinho e um balde de dejetos. Trusdale sentou-se no banquinho, e Barclay disse. “Não. Só fique em pé.”

O Xerife olhou ao redor e viu os homens contando vitória na porta.
“Vocês todos saiam daqui,” disse ele.

“Otis,” o que se chamava David disse, “E se ele atacar você?”
“Então eu dominarei ele. Eu o agradeço por fazer sua obrigação, mas agora você precisa se mandar.”

Quando eles se foram, Barclay disse: “Tire o seu casaco e dê pra mim.”

Trusdale tirou seu casaco de fazendeiro e começou a tremer. Por baixo ele não estava usando nada além de uma camisola e calças de veludo quase tão gastas que deixavam seus joelhos à mostra. O Xerife Barclay fuçou os bolsos do casaco e encontrou um maço de tabaco em uma página do catalogo da companhia de relógios R.W. e um velho bilhete de loteria que prometia o pagamento em pesos. Lá havia ainda um pedaço de uma pedrinha de mármore negro.

“É o meu mármore da sorte,” disse Trusdale. “Eu o tenho desde quando eu era criança.”
“Esvazie os bolsos da calça.”

Trusdale esvaziou. Ele tinha um centavo e três níquels e um recorte de jornal sobre a corrida de prata de Nevada, que parecia tão velho quanto o bilhete de loteria mexicano.

“Tire suas botas.”

Trusdale as tirou. Burclay olhou dentro delas. Havia um buraco em uma das solas do tamanho de uma moeda de dez cents.
“Agora as meias.”
Barclay virou-as ao contrário e largou-as de lado.
“Baixe suas calças.”
“Eu não quero fazer isso.”
“Ninguém tanto quanto eu gostaria de ver o que há ai, mas abaixe de qualquer jeito.”
Trusdale abaixou suas calças. Ele não estava usando cueca.
“Vire-se e abra as nádegas.”
Trusdale virou-se, agarrou suas nádegas e separou-as. O Xerife Barclay bufou, desconcertado, e introduziu um dedo no ânus de Trusdale. Trusdale gemeu. Barclay retirou seu dedo, desconcertado de novo, e enxugou-o na camisola de Trusdale.
“Onde está, Jim?”
“Meu chapéu?”
“Você acha que eu invadi seu rabo ou baguncei as cinzas em seu fogão procurando por um chapéu? Você se acha esperto?”

Trusdale vestiu suas calças e abotoou. Então ele permaneceu arrepiado e com os pés descalços. Uma hora antes ele estava em casa, lendo seu jornal e pensando sobre começar a acender o fogão, mas parecia que aquilo acontecera há muito tempo.

“Eu estou com seu chapéu em meu escritório.”
“Então por que você perguntou sobre ele?”
“Para ver o que você diria. O assunto do chapéu está resolvido. O que eu gostaria de saber de verdade é onde você guardou o dólar de prata da garota. Não está na sua casa ou em seus bolsos, ou dentro do seu traseiro. Você se sentiu culpado e jogou ele por ai?”
“Eu não sei nada sobre nenhum dólar de prata. Posso ter meu chapéu de volta?”
“Não. É uma evidência. Jim Trusdale, eu estou prendendo-o pelo assassinato de Rebecca Cline. Você tem alguma coisa a dizer sobre isso?
“Sim senhor. É que não conheço nenhuma Rebecca Cline.

O Xerife deixou a cela, fitando a porta, pegando a chave na parede e trancando-a. A fechadura gemeu quando ele girou o trinco. A cela geralmente era habitada por bêbados e raramente era fechada. Ele virou-se para Trusdale e disse, “Eu sinto muito por você, Jim. O inferno não será quente o suficiente para um homem que fez aquela coisa.”
“Que coisa?”
O Xerife foi embora sem responder.

Trusdale permaneceu na cela, comendo o grude da Mãezona, dormindo na beliche, cagando e mijando no balde, que era esvaziado a cada dois dias. Seu pai não viria visitá-lo, porque seu pai partiu de maneira tola aos seus oitenta anos, e agora estava sendo cuidado por um casal de peles vermelhas, um Siú e o outro Cheiene . Às vezes eles paravam em frente do balcão abandonado do deserto e cantavam hinos em harmonia. Seus irmãos estavam em Nevada, procurando por prata.

Algumas vezes as crianças vinham e paravam no vale do lado de fora de sua cela, tagarelando, “Enforcado, enforcado, venha aqui para baixo.” Algumas vezes homens paravam lá fora e ameaçavam cortar suas partes intimas. Uma vez, a mãe de Rebeca Cline veio e disse que ela mesma poderia enforcá-lo, se eles a permitissem. “Como você pôde matar meu bebe?”, ela perguntou por entre as barras da janela. “Ela tinha só dez anos, e era o aniversário dela.”
“Senhora”, disse Trusdale, ficando em pé no beliche o suficiente para olhar para o rosto que o fitava de baixo. “Eu não matei seu bebê e nem nenhum outro.”
“Preto mentiroso,” ela disse e foi embora.

Quase todos da cidade compareceram no funeral da criança. Até as duas prostitutas, que fecharam seu comércio no Chuck-Sortudo, vieram. Trusdale ouviu a cantoria de sua cela, enquanto sentava no balde no canto.

O Xerife Barclay telegrafou para o Forte Pierre, e após uma semana ou menos o juiz veio trotando em seu cavalo. Ele fora recentemente nomeado e era jovem para o trabalho, um cavalheiro com uma longa cabeleira loira que descia pelas suas costas como o Wild Bill Hickok . Seu nome era Roger Mizell. Ele usava pequenos óculos redondos, e em ambos os estabelecimentos, no Chuck-Sortudo e na Mãezona, mostrou-se como um homem com um olho nas damas, embora carregasse uma aliança na mão.

Não havia nenhum advogado na cidade disposto a defender Trusdale, então Mizell chamou George Andrews, proprietário do mercado, do pensionato e do Hotel Good-Rest. Andrew estudou dois anos no ensino superior, em uma escola de negócios do Leste. Ele disse que poderia servir de advogado de Trusdale apenas se o Sr. e a Sra. Cline concordassem.

“Então vá vê-los,” disse Mizell. Ele estava na barbearia, inclinado na cadeira e fazia a barba. “Não deixe a grama crescer sob seus pés.”
“Bem”, disse o Sr. Cline, após Andrews ter firmado seu acordo, “Eu tenho uma pergunta. Se ele não tiver ninguém para defendê-lo, eles poderão enforcá-lo?”
“Isso não seria justiça americana,” disse Andrews. “E embora nós ainda não sejamos um dos Estados Unidos, logo seremos.”
“Ele pode se esquivar disso?” Sr. Cline perguntou.
“Não, senhor,” Andrew disse. “Eu não vejo como.”
“Então cumpra com o seu dever e Deus lhe abençoe.” disse o Sr. Cline.

O julgamento durou uma manhã inteira de novembro e metade da tarde. Ele foi realizado no salão municipal, e naquele dia caíram flocos de neve tão finos como confetes de casamento. Nuvens de um cinza-ardósia sobrevoavam a cidade prevendo uma grande tempestade. Roger Mizell, que estava familiarizado ele mesmo com o caso, serviu tanto como promotor quanto como juiz.

“Como um banqueiro pegando um empréstimo dele mesmo e depois pagando a si mesmo,” um dos jurados ouviu-se dizendo durante a pausa para o almoço na Mãezona, e embora ninguém tenha discordado, ninguém sugeriu que era uma ideia ruim. Ele tinha uma certa grana, depois de tudo.

O promotor Mizell chamou meia dúzia de testemunhas, e o juiz Mizell não se opôs nenhuma vez à sua linha de interrogatório. Sr. Cline testemunhou primeiro, e o Xerife Barclay por último. A história que surgiu foi uma só. No meio dia do dia do assassinato de Rebecca Cline, estava acontecendo uma festa de aniversário, com bolo e sorvete. Muitos dos amigos de Rebecca estavam lá. Por volta das quatorze horas, enquanto as garotinhas brincavam de pregar o rabo no burro e de dança das cadeiras, Jim Trusdale entrou no Chuck-Sortudo e pediu uma dose de uísque. Ele estava usando seu chapéu de fazendeiro. Ele tomou o último drinque, e quando terminou pediu outro.

Teria ele, em qualquer momento, tirado o chapéu? Talvez tenha pendurado ele em um dos ganchos na porta? Ninguém podia se lembrar.

“Eu o vi apenas sem ele,” Dale Gerard, o barman, disse. “Ele era inseparável daquele chapéu. Se ele o tirou, ele provavelmente o deixou no bar ao lado dele. Ele tomou um segundo drinque, e então seguiu seu caminho.”
“O chapéu ficou no bar depois que ele partiu?” Mizell perguntou.
“Não, senhor.”
“Estava em um dos ganchos quando você fechou ao anoitecer?”
“Não, senhor.”

Em torno das quinze horas daquele dia, Rebecca Cline deixou sua casa no lado sua da cidade para visitar o farmacêutico na rua principal. Sua mãe tinha dito que ela poderia comprar alguns doces com seu dólar de aniversário, mas não poderia comer ainda, porque ela já tivera sua dose suficiente por um dia. Quando deu cinco horas e ela não havia retornado para casa, o Sr. Cline e alguns outros homens começaram a procurar por ela. Eles a encontraram no beco do Barker, entre o deposito de descarga e a área de descanso. Ela fora estrangulada. Seu dólar de prata tinha sumido. Foi apenas quando o pai enlutado tomou-a em seus braços que os homens viram o chapéu de abas largas de couro de Trusdale. Ele estava escondido embaixo da saia do vestido de festa da garota.

Durante a hora do almoço do júri, marteladas foram ouvidas de trás do deposito do palco, a menos de noventa passos da cena do crime. Era o barulho da forca sendo erguida. O trabalho foi supervisionado pelo melhor carpinteiro da cidade, cujo nome, apropriado o suficiente, era Sr. John House . Uma nevasca estava vindo, e a estrada para o Forte Pierre ficaria intransponível, talvez por uma semana, talvez pelo inverno inteiro. Não havia planos de manter Trusdale no calabouço local até a primavera. Não economizariam naquilo.

“Que maneira de construir uma forca,” disseram os moradores do vilarejo que vieram para assistir. “Uma criança poderia construir algo assim.”

Ele contou como uma corda operada por uma alavanca correria pelo alçapão, e como faria para se certificar que as roldanas untadas não falhariam na última hora. “Se você tem que fazer uma coisa como essa, você tem que fazê-la certo da primeira vez,” disse House.

Pela tarde, George Andrews colocou Trusdale na tribuna. Isso ocasionou alguns protestos dos espectadores, que o Juiz Mizell tentou conter, prometendo esvaziar a corte se os cidadãos não se comportassem.

“Você entrou no salão Chuck-Sortudo no dia em questão?” Andrews perguntou quando a ordem foi restaurada.
“Eu acho que sim,” disse Trusdale. “Se não fosse isso eu não estaria aqui.”
Houve alguns risos, que Mizell também reprimiu, embora ele mesmo estivesse sorrindo e não tivesse feito uma segunda repreensão.
“Você pediu duas bebidas?”
“Sim, senhor, eu pedi. Dois era tudo para o que dava meu dinheiro.”
“Mas você conseguiu outro dólar bem rápido, não foi, seu miserável!” Abel Hines disparou.
Mizell apontou seu malhete primeiro para Hines, então para o Xerife Barclay, sentando na fileira da frente. “Xerife, escolte aquele homem para fora sob a acusação de conduta desordeira, faz favor.”
Barclay escoltou Hines para fora, mas não o condenou por conduta desordeira. Ao invés disso, ele perguntou o que havia dado nele.
“Eu sinto muito, Otis,” disse Hines. “Foi ter visto ele sentando lá com sua cara deslavada espichada para fora.”
“Você irá para a rua de baixo e verá se John House precisa de alguma ajuda com o trabalho dele,” disse Barclay. “Não volte aqui até que seu serviço tenha terminado.”
“Ele tem toda a ajuda que precisa, e tá nevando forte agora.”
“Você não vai desmanchar por isso. Vá!”

Enquanto isso, Trusdale continuou seu testemunho. Não, ele não deixou o Chuck-Sortudo usando seu chapéu, mas não tinha percebido isso até que chegou em casa. Por ai, disse ele, ele estava cansado demais para andar por todo aquele caminho de volta até a cidade para procurá-lo. Além disso, já era de noite.

Mizell interrompeu. “Você está pedindo a esta corte para acreditar que você andou seis quilômetros e meio sem perceber que você não estava usando seu maldito chapéu?”
“Eu acho sinceramente, eu uso ele o tempo todo. Eu só deduzi que ele deveria estar lá,” disse Trusdale. Isso provocou outra rajada de risos.
Barclay voltou e tomou seu lugar perto de Dave Fisher. “Do que eles estão rindo afinal?”
“O idiota não precisa de um carrasco,” disse Fisher. “Ele próprio está dando o nó. Isto não deveria ser engraçado, mas é um pouco cômico, de qualquer jeito.”
“Você encontrou Rebecca Cline naquele beco?” George Andrews perguntou em voz alta. Com cada olho voltado para ele, ele havia descoberto um talento, até então escondido, para o drama. “Você a encontrou e roubou seu dólar de aniversário?”
“Não senhor,” Trusdale disse.
“Você a matou?”
“Não, senhor. Eu nem sabia quem ela era.”
O Sr. Cline levantou-se de sua cadeira e disparou, “Você fez isso, seu mentiroso filho da puta!”
“Eu não estou mentindo,” disse Trusdale, e foi quando o Xerife Barclay acreditou nele.
“Eu não tenho mais perguntas,” disse Andrews, e voltou para o seu lugar.
Trusdale começou a se levantar, mas Mizell ordenou que ele permanecesse sentado e respondesse mais algumas perguntas.
“Você vai continuar a insistir, Sr. Trusdale, que alguém roubou seu chapéu enquanto você estava bebendo no Chuck-Sortudo, e este alguém o pôs, foi até o Alley e matou Rebeca Cline, e o deixou lá para incriminar você?”
Trusdale estava em silêncio.
“Responda a pergunta, Sr. Trusdale.”
“Senhor, eu não sei o que significa ‘incriminar’”.
“Você espera nos fazer acreditar que alguém enquadrou você por este crime hediondo?”
Trusdale pensou, entrelaçando as mãos. No fim ele disse, “Talvez alguém o pegou por engano e o jogou fora.”
Mizell olhou ao longo da galeria extasiada. “Alguém aqui pegou o chapéu do Sr. Trusdale por engano?”

Houve apenas o silêncio, com exceção da neve castigando as janelas. A primeira grande tempestade do inverno havia chegado. Aquele era o inverno que os aldeões da cidade chamavam de “Inverno do Lobo”, porque os lobos desciam das colinas negras em alcateias para vascular o lixo.

“Eu não tenho mais perguntas,” disse Mizell. “E devido ao tempo vamos dispensar qualquer declaração final. O jure irá se retirar para considerar o veredito. Vocês têm três opções, cavalheiros – inocente, homicídio involuntário, ou assassinato em primeiro grau.”
“Comediante, parece mais com isso,” alguém comentou.
Xerife Barclay e Dave Fisher retiraram-se para o Chuck-Sortudo. Abel Hines foi com eles, espantando a neve dos ombros do seu casaco. Dale Gerard serviu-lhe as escunas de cerveja por conta da casa.

“Mizell pode não ter mais nenhuma pergunta,” Barclay disse, “mas eu tenho uma. O chapéu não importa. Se Trusdale a matou, como nós nunca encontramos aquele dólar de prata?”
“Porque ele se assustou e o jogou fora,” disse Hines.
“Eu não acho. Ele é estúpido demais. Se ele tivesse pego aquele dólar, ele teria voltado para o Chuck-Sortudo e bebido ele.”
“O que você está dizendo?” Dave perguntou. “Você acha que ele é inocente?”
“Eu estou dizendo que eu gostaria que tivéssemos encontrado aquela moeda.”
“Talvez ele o perdeu, por um buraco no seu bolso.”
“Ele não tinha nenhum buraco nos bolsos,” disse Barclay. “Só um em sua bota, e não era grande o suficiente para um dólar passar por ele”.

Ele bebeu um pouco de sua cerveja. As ervas daninha foram sopradas pela rua principal como cérebros fantasmagóricos sob a neve.

O júri levou uma hora e meia. “Nós logo votamos para enforcá-lo,” Kelton Fisher disse mais tarde, “Mas nos queríamos que parecesse descente”.

Mizell perguntou para Trusdale se ele tinha algo a dizer antes que a sentença fosse processada.

“Eu não consigo pensar em nada,” disse Trusdale. “Apenas que eu nunca matei aquela menina.”

A tempestade soprou por três dias. John House perguntou à Barclay quanto ele calculava que Trusdale pesava, e Barclay disse que ele deduzia que o homem tinha algo em torno de 39 quilos. House fez um manequim com sacos de aninhagem e encheu-o com pedras, pesando-o na balança de escalas do hotel, até que a agulha parasse nos 39. Então ele enforcou o manequim, enquanto metade da cidade parou ao redor do monte de neve e assistiu. Deu tudo certo durante a fase de testes.

Na noite da execução o tempo clareou. O Xerife Barclay contou para Trusdale que ele poderia ter qualquer coisa que quisesse para o jantar. Trusdale pediu por costeletas de porco e ovos, com fritas embebidas em molho. Barclay pagou do seu próprio bolso, então sentou em sua mesa limpando as unhas e ouvindo o tilintar da faca de Trusdale e do garfo sobre o prato de porcelana. Quando parou, ele entrou. Trusdale estava sentado em sua cama. Seu prato estava tão limpo que Barclay deduziu que ele deve ter lambido até a última gota de molho como um cachorro. Ele estava chorando.

“Algo está para acontecer comigo,” disse Trusdale.
“O que é, Jim?”
“Se eles me enforcarem amanhã de manhã, eu irei para o meu túmulo com costeleta de porco e ovos ainda na minha barriga. Ela não vai nem ter chance de fazer o serviço.”
Por um momento Barclay não disse nada. Ele estava horrorizado não pela imagem, mas porque Trusdale tinha pensado nisso. Então ele disse, “Limpe seu nariz.”
Trusdale limpou.
“Agora me escute, Jim, porque esta é sua última chance. Você esteve naquele bar no meio da tarde. Não tinha mais nenhuma pessoa lá então. Não está certo?”
“Eu acho que está.”
“Então quem pegou seu chapéu? Feche os olhos. Relembre. Veja!”
Trusdale fechou seus olhos. Barclay esperou, até que Trusdale abriu seus olhos, que estavam vermelhos pelo choro. “Eu não consigo lembrar se estava usando ele.”
Barclay suspirou. “Me dê seu prato, e passe aquela faca.”

Trusdale estirou o prato através das barras com a faca e o garfo sobre ele, e disse que desejava poder beber um pouco de cerveja. Barclay pensou sobre isso, então vestiu seu casaco pesado e caminhou até o Chuck-Sortudo, onde pegou um pequeno barril de cerveja com David Gerard. O coveiro Hines estava terminando um copo de vinho. Ele seguiu Barclay para fora.

“Grande dia amanhã,” disse Barclay. “Não há um enforcado aqui há dez anos, e com sorte não haverá outro por dez mais. Eu estarei aposentado então. Eu gostaria de estar agora.”
Hines olhou para ele. “Você não acha mesmo que ele a matou.”
“Se ele não o fez,” Barclay disse, “quem quer que tenha feito ainda está andando por ai.”

O enforcamento foi às nove horas da manhã seguinte. O dia estava ventoso e amargamente frio, mas a maioria da cidade saiu para assistir. O pastor Ray Rawles estava no andaime ao lado de John House. Ambos estavam tremendo, apesar dos seus casacos e cachecóis. As páginas da bíblia do Pastor Rowles ondulavam. Preso no cinto de House, também ondulando, havia um capuz caseiro, fiado com tecido tingido de preto.

Barclay levou Trusdale, as mãos algemadas atrás das costas, para a forca. Trusdale estava indo bem, até que ele diminuiu os passos, então começou a soluçar e chorar.

“Não façam isso,” disse ele. “Por favor, não façam isso comigo. Por favor não me machuquem. Por favor não me matem.”

Ele era forte para um homenzinho, e Barclay acenou para Dave Fisher vir e dar uma mão. Juntos eles forçaram Trusdale, torcendo, agachando e empurrando, pelos doze degraus de madeira. Uma vez lá ele sacudiu-se com tanta força que todos os três quase caíram e braços se esticaram para pegá-los se isso fosse acontecer.

“Fique quieto e morra como um homem!”, alguém disparou.

Na plataforma, Trusdale estava momentaneamente quieto, mas quando o Pastor Rowles começou o Salmo 51, ele começou a gritar “como uma mulherzinha com as tetas torcidas num espremedor”, alguém disse mais tarde no Chuck-Sortudo.

“Tenha misericórdia de mim, Oh Deus, segundo tua grande bondade,” Rowles leu, erguendo sua voz para ser ouvido por sobre os gritos do homem condenado. “Por tua grande compaixão, lava-me de toda a culpa e purifica-me do pecado.”

Quando Trusdale viu House pegar o capuz negro do seu cinto, ele começou a ofegar feito um cachorro. Ele sacudia a cabeça de um lado para o outro, tentando se esquivar do capuz. Seu cabelo voou. House seguiu cada movimento pacientemente, como um homem pretendendo domar um animal arisco.

“Deixe-me olhar para as montanhas,” Trusdale berrou. Catarro escorria por suas narinas. “Eu me comportarei se você me deixar olhar para as montanhas mais uma vez.”

Mas House apenas enfiou o capuz sobre a cabeça de Trusdale e puxou-o até os ombros trêmulos. Pastor Rowles estava terminando, e Trusdale tentou correr de cima do alçapão. Barclay e Fisher puxaram-no de volta. Lá embaixo alguém gritou “Segura Peão!”
“Diga amém,” Barclay disse para o Pastor Rowles. “Pelo amor de Cristo, diga amém”.

“Amém,” disse o Pastor Rowles, e se afastou, fechando sua bíblia com um “clap”.

Barclay acenou para House. House puxou a alavanca. O ferrolho untado retraiu e acionou a armadilha. Assim fez Trusdale. Houve um estalo quando seu pescoço quebrou. Suas pernas dobraram-se quase até o queixo, em seguida curvaram-se para trás. Gotas amarelas mancharam a neve debaixo de seus pés.

“Toma, desgraçado!” O pai de Rebecca Cline gritou. “Morra que nem um cachorro mijando num hidrante. Bem-Vindo ao inferno.” Algumas pessoas aplaudiram.

Os espectadores permaneceram até que o cadáver de Trusdale, ainda vestido com o capuz negro, foi colocado no mesmo vagão no qual ele tinha chegado na cidade. Então eles dispersaram.

Barclay voltou para a cadeia e sentou-se na cela que Trusdale havia ocupado. Ele sentou-se lá por dez minutos. Estava frio o suficiente para ver sua própria respiração. Ele sabia pelo que estava esperando, e eventualmente veio. Ele pegou o baldinho que estava coberto com a última cerveja e com o vomito de Trusdale. Então ele foi até o escritório e atiçou o fogão.

Ele ainda estava lá oito horas depois, tentando ler um livro, quando Abel Hines entrou. Ele disse, “Você precisa vir até a funerária, Otis. Há algo que eu quero te mostrar.”
“O quê?”
“Não. Você precisa ver por si mesmo.”
Então eles caminharam até a funerária e mortuária Hines. Na sala dos fundos Trusdale estava sentado numa placa de arrefecimento. Havia um cheiro forte de produtos químicos e de merda.
“Eles enchem as calças quando morrem desse jeito,” disse Hines. “Mesmo os homens que morrem de cabeça erguida. Eles não conseguem segurar. O esfíncter os trai.”
“E?”
“Chegue aqui. Eu acho que um homem em seu trabalho têm visto algo pior do que um monte de merda.”
Eles estavam no chão, vasculhando-o. Algo brilhou na bagunça. Barclay olhou mais de perto e viu que era um dólar de prata. Ele estendeu a mão e o tirou da merda.
“Eu não entendo isso,” disse Hines. “O filho da puta ficou trancado durante um bom tempo.”

Havia uma cadeira no canto. Barclay sentou nela tão pesadamente que ela emitiu um pequeno “woof”. “Ele deve ter engolido na primeira vez, quando viu nossas lanternas chegando. E cada vez que botava para fora ele limpava e engolia de novo.”
Os dois homens se encararam.
“Você acreditou nele,” Hines disse, por fim.
“De todo que eu sou, eu acreditei.”
“Talvez isso diga mais sobre você do que sobre ele.”
“Ele continuou dizendo que era inocente até o fim. Ele provavelmente ficará em frente ao trono de Deus dizendo a mesma coisa.”
“Sim.” Disse Hines.
“Eu não entendo. Ele estava indo para a forca. De qualquer maneira ele estava indo para a forca. Você entende isso?”
“Eu não entendo nem porque o sol nasce. O que você fará com aquele dólar? Vai devolver pra mãe e pro pai da garota? Seria melhor se você não o fizesse, porque…” Hines deu de ombros.

Porque os Clines sabiam o tempo todo. Todos na cidade sabiam o tempo todo. Ele era o único que não sabia. De tolo que era.

“Eu não sei o que vou fazer com isso,” disse ele.


O vento soprou, trazendo o som da cantoria. Estava vindo da igreja. Era hora do louvor.


Fonte: Stephen King / Conto em PDF

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Jumper: Um conto perdido de Stephen King


Hoje quero mostrar um conto do Super Escritor Stephen King. Conto de quando ele tinha apenas 12 anos, uma verdadeira raridade. Percebam a imaturidade de King nessa época e também o talento que já recebeu desde pequeno e só desenvolveu com o passar dos anos.
Sem mais delongas, abaixo o conto:


Pulador

Uma História em Três Partes
Eu tenho que escrever uma coluna para cada edição de Dave’s Rag de agora em diante, e nesta semana tenho que escrever a introdução. Eu espero, quando você estiver preparado para ler a coluna, que você lembrará uma palavra: Variedade.

Nesta semana, e nas próximas duas edições, estou preparando uma história em três partes chamada “Pulador”.
Talvez em alguma semana você leia um editorial, talvez um relatório. O que for, espero que você fique ansioso pela Coluna do Steve.
Obrigado,


Parte Um

Meu nome é Jeff Davis. Eu moro e trabalho na cidade de Nova Iorque. Eu sou um orientador psicológico da polícia ou, em termos mais simples, tento determinar o que há de errado com pessoas que tentam fazer algo com alguém – ou com elas mesmas.
Robert Steppes era um pulador compulsivo. Ele tentou pular de um prédio seis vezes.
Foi condenado, mas demonstrou habilidades engenhosas para fugir. Gênio desorientado.
Ele tinha novamente escapado, e estava no beiral acima da rua. Quinze andares no Chrysler Building, para ser exato. Desde que eu o comecei a tratá-lo, eles me levaram até o local para coagí-lo a descer.
Enquanto eu me inclinava pela janela que ele pulou para ir até o beiral, ele se mexeu e olhou para baixo, para baixo, baixo. Uma multidão excitada estava se formando, mas eles pareciam alfinetes para mim.
Steppes recuperou o equilíbrio, e então ele me viu. Ele cacarejou.
- Olá, Dr. Castle. Vejo que você veio me ver pular. Por quê? – Robert disse. – Por que você
veio?
- Por que você quer pular? – Eu perguntei. Embora já tivéssemos passado por esse ponto diversas vezes, eu tentava desesperadamente desviar sua atenção. Das tantas vezes que perguntei, ele confessou que não sabia. Poderia ser frustração – qualquer coisa.
Um olhar perplexo veio aos meus olhos. Ele fechou a cara. Mas ele decidiu ignorar a questão. Mais uma vez uma luz demente dançou em seus olhos.
- Você não vai me pegar dessa vez. – Ele gritou, e por um instante eterno, ele flutuou na
beirada do prédio.
Ele se reergueu.
- Ainda não. – Ele disse. – Ainda não, Dr. Castle. Mas logo.
Então um policial me chamou para dentro do quarto e murmurou:
- Estamos baixando um cabo com um gancho de ferro pesado preso nele. Esperamos captura-lo. Mas você terá que mantê-lo ocupado. – Ele disse.
- Certo.
Eu não consigo lembrar sobre o que conversei com ele, mas foi um trabalho tenso e cansativo. Eu consigo lembrar que disse repetitivamente para ele não pular. Eu estava mental e fisicamente exausto, quando vi o cabo e seu gancho de metal balançando de uma janela um andar acima.
Eu comecei a falar mais rápido.
- Vamos, Robert. Você realmente não quer pular, quer?
Estava quase lá, e eu tinha certeza de que logo tudo estaria terminado.
Mais baixo -- mais baixo --
Então alguma coisa deu de errado!
Steppes virou-se em direção à parede, no mesmo instante em que o cabo balançou fora de controle. Ele gritou quando o cabo, agora completamente fora de controle, caiu em sua direção, e o derrubou do peitoril.


Parte Dois

Com um grito selvagem ele caiu do beiral—e agarrou desenfreadamente o peitoril. De alguma forma, de algum jeito, ele conseguiu se segurar. Ele se lançou para cima, mas os
dedos nervosos escorregaram, e ele teve que se agarrar loucamente. Ele conseguiu, e subiu. O gancho já tinha voltado. Ele sorriu ferozmente em minha direção.
- Ainda não é a hora, Doutor—ainda não—mas logo. Logo.
- Robert. - Eu disse quietamente. – Você não quer pular. Você não quer. Você sabe disso.
Agora venha para dentro, e vamos todos embora para casa.
Ele riu selvagemente.
- Você gostaria disso, não é, Doutor? Você gostaria dessa satisfação. – Ele olhou para baixo—como as pessoas olhando a gente. – Não, Doutor. Eu vou pular. Logo.
Uma ideia estava se formando no meu cérebro, mas ainda era muito cedo para ter certeza. Suor vazava, mas eu não podia enxugar. Antes de eu tentar minha ideia, eu deveria tentar convencê-lo mais uma vez. Eu me inclinei para fora da janela.
Desta vez eu decidi ir em outra direção. Eu fiz a minha voz ficar a mais calejada possível.
O.K, Cara. Você se divertiu. Agora entre aqui seu *#%//-*#. Você é um idiota. Entre  aqui antes que eu te empurre. Quem você acha que se importa caso você pule? Eu ficarei feliz em me livrar de você. Pular? Vá em frente! – Ele me olhou indecisamente. – Do que você tem medo, Stack? Pule! Vai pular? Você não se atreve. Então entre aqui! Estou
cansado de te olhar.
- Eu vou fazer isso. – Ele resmungou. – Em exatos quinze segundos. 

Ele olhou para seu relógio.

15. . . 14. . . 13. . . 12. . . 11. . . 10. . . 9. . . 8. . . 7. . . 6. . .


Parte Três

5. . . 4. . . 3. . . 2. . . 1! Robert se inclinou para frente, e por um momento, pairou sob a eternidade. Ele voltou para dentro.
- Eu esperarei. Só dez minutos, Doutor. Dez minutos para ver você se contorcer.

Era o momento para eu usar o meu plano! Eu pulei para o peitoril, e comecei a andar em sua direção.
Pela primeira vez ele pareceu assustado.

- V-vai embora, eu te digo! S-se você chegar três passos mais perto, eu pularei e minha morte estará em suas mãos!
E-eu estou falando sério, Doutor.
Eu continuei avançando, não me atrevendo olhar para baixo.
Ele começou a se afastar de mim, e eu tinha certeza de que estava certo. Embora teoricamente qualquer homem possa tirar sua própria vida, poucos realmente cometeriam suicídio, e Robert não era um desses homens. Então ele alcançou o beiral, e o beiral acabara. Ele me olhou com resistência por um minuto, e então começou a soluçar incontrolavelmente. Eu o conduzi para dentro. Fora um dos casos mais angustiantes de um pulador que eu já tive de lidar - 
“O Caso do Pulador que não Conseguia Pular“.



Fonte e Tradução: Baú Do Stephen King