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terça-feira, 17 de novembro de 2015

O que Morgan, Eastman e Nick têm em comum?


O quarto episódio da sexta temporada de The Walking Dead foi um daqueles que te faz pensar, que faz com que você tire algo da série e leve para sua vida. Fala sobre o quanto ser você mesmo e aprender a viver frente às adversidades é algo importante, e explica como, afinal de contas, o Morgan volta para o convívio dos nossos amigos parecendo o Donatello das Tartarugas Ninja.

Em “Here’s not Here” temos um episódio que tinha tudo para ser horrível mas entregou uma história paralela de forma bonita, eficiente e profunda, usando uma ligação com o presente extremamente eficiente e demonstrando o quanto cada um de nós pode compreender as coisas de forma diferente e reagir de forma diferente em situações parecidas.

A principal capacidade demonstrada por Eastman, o mestre Splinter de nosso amigo, é a de compreender o quanto tudo ter acabado não precisa necessariamente afetá-lo, embora isso tenha uma profunda relação com tudo já ter acabado antes para ele.

De forma extremamente similar explicada por Nick, em um dos últimos episódios do Fear The Walking Dead, o fato de sua vida já estar destruída fez com ele aceitasse o fim da sociedade de forma mais natural. Na verdade, de forma quase sádica – ele disse que eram os outros que o estavam alcançando, em matéria de desgraça.
O que podemos tirar de conclusão, quando comparamos Nick, 
Eastman e Morgan?


No fim, está tudo dentro de você

Antes de falar de todas as diferenças entre estes três interessantes personagens, vamos elencar tudo que eles tem em comum.
Todos eles, definitivamente, foram jogados a uma situação de desumanização pelas consequências da vida. Cada um deles por um motivo, alguns totalmente desconhecidos por nós, ao menos por enquanto. Cada um deles, de um jeito ou de outro, se sentia totalmente desconectado do resto do mundo, porque suas amarras foram arrancadas.

Depois disso, eles foram submetidos à outra sessão de dor e desespero, pois afinal de contas, é um apocalipse zumbi! Aqui começam as principais diferenças, que levam cada um deles a lugares totalmente diferentes.

Eastman já tinha de ser forte antes do apocalipse, por causa do seu trabalho, e precisava de equilíbrio mental, que ele conseguiu por meio do Aikido.Morgan sempre foi um simples pai de família, inofensivo em sua essência, com aquele nível de covardia visceral, que dá a ele uma credibilidade profunda.E Nick, devido às drogas, já vivia seu apocalipse particular, tanto que a igreja onde ele acorda, no começo de Fear, já parecia um acampamento do fim do mundo, antes dos zumbis atacarem de forma mais ostensiva.

Eastman, devido ao seu treinamento, conseguiu transformar sua culpa em uma série de bons atos, em bondade e compaixão, redirecionando essa mágoa como algo bom para seu ambiente.
Morgan deixava toda a sua mágoa corroê-lo, e a alimentava com mais atos abomináveis, fazendo de si mesmo uma verdadeira besta fera, cujo combustível era o ódio e o desejo de autodestruição, refreado por um desejo inconsciente de viver.

Nick, por outro lado, tornou-se extremamente perigoso dentro de um apocalipse zumbi em início, por ser uma pessoa muito mais acostumada a esse mundo cão do que os outros, tanto que o misterioso Strand o salva, para usá-lo como seu “cão de guarda”.

Como desenlance, temos um Eastman que se sacrifica pelo seu 
aluno, um Morgan equilibrado, eficiente e pacifista e, por último, um Nick instável, mas eficiente, que ainda vai nos dar muitas surpresas.

De uma forma ou de outra, a grande lição que aprendemos com estes personagens e suas histórias é que, mesmo quando tudo desaba, quem teve um mínimo de base em algum momento da vida consegue se manter fiel a ela.


Analisando TWD: Michonne e Carol – Aliadas ou opostas?


[AVISO: TEXTO COM SPOILERS DOS QUADRINHOS E DA SÉRIE DE TV]


Bem, cá estou eu redigindo mais um texto e esse com o propósito de apresentar duas personagens – que na verdade não precisam de cerimônias – femininas de peso na série. Se o feminismo tivesse de ser representado em The Walking Dead, tenho certeza que Michonne (Danai Gurira) e Carol (Melissa McBride) seriam as maiores ativistas.

Tem-me estarrecido nos últimos tempos a quantidade de comentários pejorativos que uma ou outra recebem dos “fãs” da contraparte. Assim como foi, há pouco tempo, entre Carol e Beth (Emily Kinney), parece que aqueles que elegem Michonne ou Carol como personagem favorita não conseguem habitar o mesmo planeta.

Falemos um pouco de quem é Michonne. Michonne apareceu no final da segunda temporada, sendo uma espécie de Messias para Andrea (Laurie Holden), salvando-a da morte iminente. 

Naquele momento talvez os fãs tenham ficado um pouco desorientados (isso para quem não acompanhava os quadrinhos e não sabia do que se tratava aquele vulto com katana na floresta). 

Mas a verdade é que desde a terceira temporada a personagem tem mostrado algo em todos os episódios: fidelidade. Michonne é fiel em todo o tempo a quem estiver ao seu lado, a menos que isso signifique perder seus valores. Deixar Andrea para trás com o Governador (David Morrissey) é um exemplo de que se existe algo mais presente em Michonne do que a fidelidade, esse é o faro para o perigo.


Ao chegar à prisão e não ter uma recepção amigável, Michonne não se negou a se submeter às regras de exílio interpostas por Rick (Andrew Lincoln). Antes mesmo de Rick apresentar-se ela já o conhecia. Ela sabia que aquele pequeno grupo de pessoas abrigando-se na prisão era na verdade o antigo grupo de sobrevivência de Andrea. Michonne sabia que agora estava mais próxima do que poderia chamar de família.

Ali, na prisão, começou um forte companheirismo. Ir para a batalha sem Michonne parece ser difícil para Rick. A única vez que o tentou (no hospital), saiu com baixas. Rick e Michonne funcionam muito bem em cenas de ação. Sabem se posicionar e Michonne está sempre pronta para o ataque quando Rick ordena. Nas HQ’s é exatamente essa a relação entre os dois. Até nos dias atuais que vivem os personagens da HQ, Michonne é o braço-direito de Rick em toda e qualquer batalha e está pronta para guerra até quando ele não a pede. É uma relação de cooperação e fidelidade. Num dos últimos quadrinhos, Rick retrata Michonne como “[…] minha melhor amiga […]”.


Partindo daqui, explicitemos Carol. A mulher de meia-idade, dona de casa, violentada pelo marido, mãe protetora. A indefesa presa do sistema machista opressor. De tão vítima que Carol era, nenhum daqueles que acompanham desde a primeira temporada não passaram por momentos de “Carol será a próxima a morrer.”.

Pulemos todo o drama da segunda temporada e as poucas aparições na terceira para falar da quarta e quinta temporada. Em algum momento Melissa McBride trocou de personagem e nós não o vimos? Talvez, a ausência de Andrea obrigou os roteiristas a suprir essa carência de história que teríamos dali em diante. Carol tomou uma proporção monstruosa frente aos outros, saiu do elenco de apoio para protagonizar cenas e abrilhantar a história. Disposta a tudo – tudo mesmo – para proteger a sua família (para ela aqueles que sempre estiveram com ela e fizeram parte da sua transformação agora suprem sua necessidade de família, pelo fato da sua real família ter se dissipado com o apocalipse), Carol se torna totalmente estrategista, fria e calculista. Ora, mas essa não é a discrição do Rick? Exato, enquanto Michonne é o braço-direito de Rick, Carol é o que Rick seria se mulher. Manter-se vivo; manter quem ama vivo; matar quem oferecer ameaça. Essas são frases que descrevem Rick e Carol.


Carol agora é independente, não necessita de mais ninguém a dizendo ou ensinando-a como sobreviver. Ela está disposta a viver, não é mais a melancólica pessoa que aguarda o momento da morte. 

Demonstra liderança. Onde? Não, não vimos um episódio que deixe evidente Carol liderando o grupo, mas foi a ela que Rick concedeu o comando do grupo quando teve que se separar com Michonne,TyreeseGlenn e Noah para investigar a comunidade do último na Virgínia. Carol e Rick sabem quem são e sabem porque agem.

Enfim, as duas não compartilharam muitas cenas, não parecem ser aquelas amigas que se juntam para fofocar e comer biscoitos. Contudo, uma das coisas que podemos ter certeza é que entre elas há respeito e afeto, ao ponto de que se todos morressem e restassem as duas, Carol continuaria a fazer de tudo para manter Michonne viva e Michonne lutaria até o último suspiro para dar todo o apoio a Carol.

É triste ver que há fãs que pouco se importam em analisar as relações e ficam torcendo desenfreadamente para que uma ou outra morra, por medo de “tirar o brilho” do ídolo. Carol e Michonne têm posições diferentes no grupo, tem opiniões diferentes, mas isso não significa que uma seja mais merecedora que a outra. Carol está desenvolvendo-se cada vez mais seu senso investigativo e racional, que não possuía no inicio da série e Michonne está retomando seu lado afável e doce, cheio de esperança que possuía antes do apocalipse. Estão se invertendo os papéis das personagens.

É totalmente desanimador de ver que ao invés de centrarem-se em ver os personagens como um todo, como uma rede complexa, hierárquica e comunitário-solidária, alguns fãs centram-se em tentar de todas as maneiras desqualificarem o personagem que julgam estar intimidando seu ídolo em cena. Não, Carol não é a má consciência de Rick e Michonne não é a boa consciência de Rick. 

As duas têm papéis fundamentais ao lado do líder. Se Michonne não tivesse indicado que deveriam ir para Alexandria, estariam até agora na rua, morrendo gradativamente. Contudo, se Carol não indicasse que deveriam tomar cuidado e serem cautelosos e que Pete(Corey Brill) era uma ameaça para todos e não só pra Jessie (Alexandra Breckenridge), talvez logo algum dos nossos queridos personagens sofresse pelo silêncio dela – vide Reg (Steve Coulter). As duas não são inimigas, não se opõe, estão posicionadas em cargo de confiança de Rick. Rick não dá tanto crédito para os outros membros quanto dá para a opinião das duas. Por quê? 

Talvez pelo fato de se parecerem com ele em muitos aspectos.


Não há dissensões. Se há, talvez seja a de que caso Michonne se encontrasse em uma situação de dois membros do grupo estando em perigo e podendo salvar só um, lutaria até o fim para impedir a morte dos dois. Sendo capaz de permitir sua própria morte e depois a dos outros dois para não ter que escolher. Carol escolheria por aquele a quem tem mais afeto, por exemplo, numa situação de perigo para Glenn (Steven Yeun) e Sasha (Sonequa Martin-Green). Provável seria que a miss Peletier primeiramente desenvolvesse um plano para salvar os dois bem estruturado, mas caso não o conseguisse, daria maiores possibilidades a quem a acompanha desde sempre, Glenn. É fria, mas ao mesmo tempo dá atenção a valores ainda humanos: estar do lado de quem sempre esteve por nós. Mas no fim, estar do lado de Michonne é estar do lado de Carol, Rick, Carl, Glenn, Maggie, etc. Estar do lado de Carol é estar do lado de Michonne, Rick, Carl, Glenn, Maggie, etc. 

Paremos de defender pontos de vista, defendamos o grupo.
E você? Posiciona-se ante um dos lados, defendendo uma das partes ou é da opinião que há um só grupo e é esse que deve ser protegido? Abaixo, nos comentários, posicione-se com sua opinião e argumentos, debatendo a fim de trazer maior coercibilidade ao seu ponto de vista. Num apocalipse zumbi você deverá defender seus ideais com unhas e dentes, então faça o teste abaixo nos comentários e façamos uma discussão saudável de preferências ou não.


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Fear The Walking Dead: Analise dos Primeiros Episódios

Esta é uma resenha traduzida e adaptada pelo site: TheWalkingDead.Com, diretamente do site The Hollywood Reporter. A opinião exposta a seguir pertence ao autor original.


É consenso que a nova série da AMC, Fear The Walking Dead, já estreará com uma audiência cativa, oriunda de The Walking Dead.

E os fãs assistirão em massa. Considerando que quase 16 milhões de pessoas assistiram à final da 5ª temporada de The Walking Dead, dá para afirmar com certa segurança que a estreia de Fear The Walking Dead no dia 23 de agosto será um estouro. E a audiência para o segundo episódio – e provavelmente para todos os seis episódios que compõem esta temporada – será enorme, mesmo se não conseguir alcançar os números estratosféricos da série original.

Encontrar telespectadores não será um problema. O problema, que ficou evidente nos dois primeiros dois episódios que a AMC disponibilizou para crítica (juntamente com um vídeo do terceiro episódio, exibido na coletiva de imprensa da Television Critics Association), é que não há muita carnificina.

Na verdade, zumbis mesmo (que são chamados apenas de “infectados” ao invés do termo “walkers”) são mais escassos durante as duas primeiras horas, o que faz com que Fear The Walking Dead seja muito mais um drama tradicional até que a infecção desconhecida se espalhe.


Ou seja, o primeiro episódio de 90 minutos e o segundo episódio de uma hora não são exatamente entediantes, mas certamente menos atraentes que a série original.

Dito isso, o ponto em que Fear The Walking Dead pode firmar e se destacar – não há motivos para ser idêntica à série original – é que a audiência estará vendo os eventos em outro ponto dos EUA, na Costa Oeste, especificamente em Los Angeles, e antes do momento em que Rick acorda no hospital de Atlanta, já em um apocalipse zumbi.

Não é exatamente um prequel, claro, mas dá aos fãs uma visão dos primeiros momentos do surto, como o mundo era e como ele lentamente começou a perceber que algo terrível estava acontecendo. Há um rico material dramático a ser explorado neste cenário e Fear The Walking Dead deverá trabalhar nisso em algum momento desses seis episódios.


A sequência truncada do episódio compromete o desenvolvimento inicial da história, pois há alguns detalhes no episódio piloto que não podem ser ignorados. O produtor executivo, co-criador e showrunner Dave Erickson tem que introduzir todo o elenco novo, e isso demanda tempo.

Uma série funciona melhor quando a audiência conhece as pessoas envolvidas e pode torcer por eles ou contra eles.

Em Fear The Walking Dead seremos apresentados a dois professores de Los Angeles, que estão em um relacionamento: Madison (Kim Dickens) e Travis (Cliff Curtis), que não estão apenas envolvidos em seus trabalhos, mas também tentando convencer seus filhos que todos ainda são uma família, apenas se misturaram com outra família. Eles são adolescentes, então não é surpresa que eles estão incomodados com a ideia (o que também é um aborrecimento).

A filha de Madison, Alicia (Alycia Debnam-Carey), desaprova o relacionamento de sua mãe, enquanto o filho de Travis, Christopher (Lorenzo James Henrie), tem a mesma opinião, preferindo ficar com sua mãe, Liza (Elizabeth Rodriguez). Complicando a situação está o outro filho de Madison, Nick (Frank Dillane), que é viciado em heroína e além de qualquer socorro (pois ele não quer ser ajudado).


O desafio de Erickson e seus companheiros de trabalho, o produtor executivo David Alpert e o diretor Adam Davidson, é criar um novo e diferente universo de The Walking Dead, onde a misteriosa infecção, que está em seus primeiros momentos, seja atraente o suficiente para manter o lento desenvolvimento dos novos personagens.

Isso não é uma tarefa fácil. Sem dúvida existem momentos nos primeiros episódios que não chegam nem perto do envolvimento da série original e, como os fãs querem ver zumbis, tudo fica parecendo como uma história capenga que já sabemos que está sendo contada de forma arrastada.

Contudo, o apelo dramático é duplicado: ver o que não foi visto antes – a confusão, seguidos do choque e por fim o caos dos primeiros dias; e, provavelmente, ainda mais importante, explorar (e brincar) com a ideia que os telespectadores sabem mais que os personagens de Fear The Walking Dead. Vê-los agindo de forma leviana quando deveriam estar correndo por suas vidas é ao mesmo tempo interessante e assustador.


Erickson e os outros fazem um ótimo trabalho em explorar essa ingenuidade inicial e perigos, em que as pessoas permitem que os recém-infectados (já zumbificados, mas ainda não apodrecidos) se aproximem delas. Isso afeta os fãs de The Walking Dead que já sabem o que está a caminho, ao mesmo tempo que é um comportamento que faz sentido no contexto de Fear The Walking Dead. É tudo uma grande novidade – haverá erros e consequências.

Outro elemento que vale a pena ser explorado é a previsível, mas ainda assim perigosa, ideia que os personagens têm no começo de que a polícia ou o governo os protegeriam. Confiança em instituições que estão prestes a desmoronar é algo lógico neste momento. Além disso, os personagens de Fear The Walking Dead acreditam que qualquer que seja o surto, ele será contido. Novamente, saber mais que os personagens principais é intrigante e gera reações diferentes.

As pessoas em Fear The Walking Dead baseiam suas ações na ideia de que tudo vai passar e os diretores trabalham duro para expor esta crença, que não é parte de The Walking Dead.


Mas ninguém disse que o lento desenrolar dos problemas seria particularmente fácil de ser mostrado ou fascinante. Afinal ele é, como já foi dito, lento.

Contudo, após passar a sofrida introdução dos personagens – três deles, incluindo o personagem de Ruben Blades, apresentados no segundo episódio – Fear The Walking Dead pode começar a desenvolver seu potencial (e teremos 15 episódios para a já confirmada 2ª temporada).

Os primeiros episódios deixam as dicas das consequências da ignorância, criando cenas que farão com que os fãs de The Walking Dead fiquem na expectativa. Em uma delas, uma garota abraça o namorado infectado, que está prestes a se transformar, sendo que ela nunca viu isso antes.


Andando muito perto de zumbis ou prestando socorros a pessoas que foram mordidas e então andando de carro com elas são algumas das formas que Erickson usa para desenvolver a tensão – além de uma perversa pitada de senso de humor.

Os atores Dickens e Curtis brilham nos primeiros episódios. As ações de Madison indicam que ela será uma sobrevivente a qualquer custo e Travis mostra uma certa desenvoltura típica de Rick Grimes.

Mas Fear The Walking Dead tem outros obstáculos. Adolescentes são sempre chatos em séries de TV e aqui não é diferente. Eles simplesmente fazem coisas idiotas. Algumas atitudes são esperadas, claro, mas outras não. E Fear não é imune a pais que não compartilham informações cruciais com seus filhos o quanto antes, como “eu acabo de ver o que parece ser claramente um zumbi, então você tem que ficar aí dentro”! Contudo, especificamente neste caso, em parte é por que sequer o termo “zumbi” é usado em The Walking Dead ou Fear The Walking Dead – apesar de ambos se passarem em um período onde, culturamente, todos saberiam o que é um zumbi*.

*[Nota do Tradutor: Segundo Robert Kirkman, no universo de The Walking Dead, que também é o de Fear The Walking Dead, não existem filmes ou a noção de mortos-vivos, logo a situação é totalmente inédita e cada grupo de sobreviventes os chamam de uma forma diferente.]


Mas parte dessa incapacidade de compartilhar informações essenciais é apenas para o suporte dramático. Por que dizer “Eu vi pessoas comendo outras, então temos que dar no pé” quando pode-se falar “Não saia, eu te aviso quando estiver chegando”?

E por fim há o problema com as linhas temporais de cada série. Não haverá se passado muito tempo ao longo da 1ª temporada de Fear The Walking Dead, mas fica a reflexão de até quando a série poderá se manter até que o choque da novidade passe e o tempo siga para criar os zumbis apodrecidos, falta de mantimentos a paranoia entre os vivos que a série original possui.
O grande desafio de Fear The Walking Dead será empurrar tudo isso para frente e manter o foco nos primeiros dias do apocalipse de uma forma que faça parecer diferente, mas também igualmente original e divertido.

Mesmo se Fear The Walking Dead ficar sem criatividade, os produtores terão o consolo de que milhões de fãs ainda assim assistiram à série.

Conclusão: Cheio de obstáculos, mas também cheio de potencial dramático.
A 1ª temporada de Fear The Walking Dead terá estreia simultânea mundial no dia 23 de agosto e contará com seis episódios. No Brasil será exibido pelo canal de TV por assinatura AMC. 


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Análise do trailer da 6° Temporada x HQ



Mais uma vez o site The Walking Dead BR nos traz uma análise detalhada do trailer da próxima temporada para compararmos com a HQ e encontrar semelhanças!


ATENÇÃO: O post a seguir contém grandes spoilers dos quadrinhos de The Walking Dead. Caso não queira ter as surpresas do decorrer da trama reveladas, não continue. Você foi avisado!


O trailer da sexta temporada da nossa série favorita foi divulgado na Comic Con em San Diego. Após o lançamento e análise do trailer fomos revisar o 14º volume dos quadrinhos – “No way out” (Sem Saída) – que tem seu enredo cada vez mais utilizado na série – para tentarmos encaixar as histórias e saber o que podemos esperar do novo ano de The Walking Dead. Confira:



Quem serão os grandes vilões da sexta temporada?


Ora, na primeira e segunda temporada vimos um antagonismo – Shane – se constituir e ser derrubado por nosso grande líder. A terceira temporada nos revelou um dos mais amados e odiados vilões da trama, o Governador, que teve seu fim na primeira metade da quarta temporada. Nessa, fomos introduzidos a um novo grupo que só viemos a conhecer realmente na quinta temporada: Os Caçadores. Desde os caçadores até aqui não chegamos a ver o novo inimigo, mas que ele está próximo é evidente. Quem são os Lobos? Farão com Alexandria o que fizeram com a comunidade de Noah

Bem, talvez, como foram os caçadores, os lobos sejam a peça que une as duas temporadas.
Nos quadrinhos temos um grupo semelhante ao que até aqui nos foi dito sobre eles, um grupo que se apresenta e morre na mesma edição – graças à mira perfeita de Andrea. Esse grupo invade comunidades, saqueiam-nas (tanto que se intitulam como “Os Saqueadores”) e se apossam de tudo que podem. Quando chegam a Alexandria – atraídos pelo tiro que Rick deu para matar Pete -, pelo lado de fora dos portões interrogam Rick e acabam sendo mortos ali mesmo.

Os tiros dados por Andrea para matar o pequeno grupo de saqueadores acaba por atrair um antigo inimigo e talvez um dos mais temidos: uma horda gigantesca de walkers.
Basicamente, todo o volume 14 gira em torno das manobras que os residentes de Alexandria fazem para evitar o pior: a invasão dos errantes. Conseguem? Não. Os seres pútridos acabam por derrubar uma parte da muralha e invadem a cidadela. O resultado é lastimável: vários personagens acabam morrendo.



Qual a posição Deanna irá tomar?


Na última cena da quinta temporada presenciamos Deanna autorizando Rick a quebrar uma das regras da comunidade: matar. E o que os quadrinhos nos dizem sobre isso?

Para os que não acompanham os quadrinhos – e não deixam de ser fãs por isso – Deanna é uma adaptação de Douglas Monroe (líder de Alexandria na história original). A história que a envolveu é quase fielmente adaptada. Nas HQ’s Douglas é casado com Regina. Toda a história entre Rick e Pete se desenvolve, e Rick procura Douglas diversas vezes para avisá-lo do perigo que o médico significa para a comunidade. Após beber muito, Pete acaba matando Regina na frente de Rick e Douglas, esse autoriza aquele a dar um fim na vida do algoz de sua esposa.

Após a morte de Regina, Douglas – que traía sua esposa com o consentimento da mesma – acaba por entrar numa espécie de crise depressiva, se culpando pela morte da companheira e por tudo que fez a ela. Ele acaba indiretamente passando o comando da cidade para Rick, pois sabe que ele, que tem experiência com o mundo exterior é o melhor que Alexandria pode ter.

No trailer vemos Deanna parecendo fazer o mesmo. Claro que resta a dúvida se é de Rick que ela fala. O que reforça a ideia de que Deanna deixará outro alguém no comando – seja Rick, Morgan ou qualquer outro ser vivente – é a frase dita por Carol
“Agora ela tem o poder de dar poder!”.

Voltando para a trama de Douglas, quando os caminhantes tomam a cidade, Douglas em um impulso de loucura, saí às ruas (entre os walkers) atirando desenfreadamente, o que acaba acidentalmente ferindo gravemente Carl. Douglas logo é cercado e devorado por grande parte dos errantes que estão ao seu redor. Será esse o futuro de Deanna?



De que lado Morgan está?


Bem, se tem algo que devemos aprender sobre os trailers lançados pela AMC de The Walking Dead é que eles sempre nos levarão a uma interpretação totalmente contrária ao que realmente acontecerá. Fazem-nos acreditar que Daryl morrerá (isso acontece desde a terceira temporada), que um personagem de pouca importância assumirá o protagonismo da série e por aí vai.

No trailer da sexta temporada provavelmente não será diferente, tudo indica que querem nos fazer acreditar que Rick e Morgan serão grandes inimigos e dividirão a cidade em dois grupos: o time pró-Rick e o grupo versus-Rick. Pode acontecer? Evidentemente, tudo indica que sim. Mas, como é a relação de Morgan nos quadrinhos quando em Alexandria?

Morgan está se recuperando de alguns problemas derivados da morte do seu filho Duane e de sua esposa – sim, ainda – e acaba engatando um romance com Michonne. Os dois protagonizam algumas idas e vindas, visto que na maior parte do tempo Morgan demonstra ter interesse em Michonne, mas se sente culpado pelo acontecido com sua antiga família. Michonne o faz ver que todos ali perderam alguém que amavam, mas isso não é um motivo para se punir e não permitir-se ser feliz.

Na maior parte do tempo Morgan é uma espécie de braço direito de Rick dentro de Alexandria, ajudando-o nas mais diversas áreas de carência da cidadela. Quando os walkers começam a pressionar os muros, Morgan está sempre presente para ajudar.

Na noite em que os errantes conseguem finalmente vencer as placas de aço utilizadas como muro e invadem Alexandria, Morgan acaba sendo mordido no braço. Ao ver Carl, começa a delirar e falar com ele como se fosse Duane. Michonne tenta salvá-lo amputando o braço dele, mas acaba por ser tarde demais. E, novamente, Michonne responsabiliza-se por usar sua espada, dando fim a agonia de Morgan.



Maggie está passando por algum problema?


Vemos algumas rápidas cenas de Maggie junto a Glenn onde todo o diálogo parece levar para uma ideia de que Carol está sendo um problema. Bem, eu, escritor desse texto, vi com olhos diferentes. 

Acho que na verdade, por algum problema que Maggie está enfrentando, Glenn fala: 
“As pessoas estão assustadas. Você devia ficar de olho nela.” 

Na minha interpretação, Glenn acaba de ouvir um desabafo de Maggie e então usa todo o exemplo de Carol – alguém que sofreu, mas hoje é uma das mais fortes do grupo – para fortalecê-la, e no fim pede para que Maggie observe Carol para aprender a tê-la como exemplo. Em que isso é baseado?
Bem, nos quadrinhos, Maggie demora a superar a morte do pai e dos irmãos (Beth nem existe naquela realidade). Antes de Alexandria, acaba se sentindo extremamente desconfortável por ainda estar viva. Se sente culpada por estar em um lugar confortável e bom enquanto seu pai e seus irmãos acabaram de morrer brutalmente. Sente que estar ali torna a morte deles desnecessária. Tudo isso a faz pensar em suicídio, e eventualmente ela tenta consumar o ato.

Isso faz com que Glenn e Maggie tenham um esfriamento na relação.

Já em Alexandria, Glenn e Maggie continuam a ter problemas conjugais, visto que Glenn não consegue aceitar sua tentativa de suicídio. Lá dentro, Maggie ainda apresenta por vezes um espírito melancólico. Mas a aproximação com Padre Gabriel acaba a trazendo de volta ao espírito de sobrevivência.

Talvez a Maggie da série possa estar passando pelos mesmos problemas. A vimos chorando em um episódio pela morte de Beth, mas depois disso tudo foi tão intenso que não houve mais espaço para ela desabafar e ordenar seus pensamentos. Talvez Maggie realmente necessite de alguém para quem olhar e buscar inspiração de força, ao menos por um momento. E quem teve uma perda tão impactante (ou pior) do que a dela? Carol.

Mas, ainda há outra teoria que ronda a história de Maggie e Glenn. É exatamente em Alexandria que ela descobre que está grávida dele (obviamente isso não é tão feliz quanto parece, pra quem já passou da edição de número 100 da HQ). O diálogo entre ela e Glenn pode significar isso, que ela descobriu que está grávida e terá que se cuidar mais e talvez – por mais tendencioso que possa parecer -, buscar ajuda daquelas que já passaram por tais experiências.



O que esperar de Abraham, Rosita e Eugene?


No 14º volume das HQ’s, Eugene já está a todo o vapor sendo útil nos ramos da ciência, eletrônica e demais coisas que um nerd possa realizar em Alexandria. Já Abraham e Rosita (que é a paixão secreta de Eugene) não parecem estar tão bem. Abraham, em Alexandria, conhece Holy (sim, o mesmo nome citado por Noah numa conversa com Tara). Holy é uma mulher destemida, que o ajuda em vários serviços diferentes, como patrulhas, exterminação de walkers, erguer muralhas. Além de tudo, Holy é extremamente atraente. Abraham acaba engatando um relacionamento com ela, ao mesmo tempo em que se relaciona com Rosita. Em dado momento, Abraham chega a falar para Eugene que gosta de Rosita, mas que ama mesmo Holy e que Rosita é só mais uma diversão, e isso é desde o tempo da estrada.



Rick e Jessie serão um casal?


Evidentemente: sim. Na HQ a história é um pouco diferente, visto que nem Rick e nem Jessie apresentam algum interesse no outro enquanto Pete ainda está vivo. O relacionamento ocorre só depois da morte de Pete e começa por investidas de Jessie, e não de Rick como vem sendo na série. Contudo, isso não é imediatamente após a morte de Pete, demora ainda alguns dias até que Jessie demonstre seu interesse e eventualmente depois se atire nos braços de Rick. O fato é que todo o romance se desenvolve em meio à horda iminente de walkers invadindo Alexandria. No fim, numa tentativa de fuga, Jessie por não querer deixar seu filho Ron (o mesmo da série) para trás, acaba sendo devorada também. Nesse meio tempo Rick deve tomar uma rápida decisão: salvar Jessie ou salvar Carl

Obviamente que sem pestanejar sabemos quem Rick escolhe manter vivo.
Como na série as coisas estão acontecendo de modo diferente entre os dois, desconfio que não vá demorar muito até vermos o primeiro beijo. Contudo, acredito que ainda irá ter um tempo de “luto” por Pete, onde Jessie tentará acostumar a prole com a ideia de que Rick fez aquilo para o bem deles. Como podemos ver no trailer, Jessie parece estar totalmente apoiando Rick e parece estar se abrigando na mesma casa quando a horda invade a cidadela. Será que teremos uma reprodução fiel à HQ da morte de Jessie?

Então, esses foram alguns pontos que podem unir a série com a HQ. Obviamente que a sexta temporada pode ser totalmente inédita e diferente dos quadrinhos. Pode ser que realmente Morgan e Rick serão grandes inimigos, pode ser que Carol torne-se uma megera psicopata serial-killer (já não é?) que se torne um perigo para todos e que tudo seja totalmente diferente do que já foi escrito por Kirkman. Mas sempre vale a pena relembrarmos um pouco das histórias já contadas e fazermos comparações e teorias.


Visto isso, queremos saber de vocês, quais são as teorias de vocês para a sexta temporada com base no trailer? 
Acompanha os quadrinhos e notou mais alguma semelhança? Comentem logo abaixo.